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Fui finalizar as gravações do terceiro álbum do Vanguart no Estúdio El Rocha, lá descobri que os Porcas Borboletas também haviam acabado de gravar seu terceiro álbum. Fui tomado por um acesso de ansiedade para saber o que viria daqueles caras, justamente por nunca saber o que esperar deles. Tomado por outro acesso, desta vez de corrupção artística, sempre perdoada pelos fins, menti a Fernando Sanches: “Acabei de falar com Danislau por telefone e ele disse que você poderia me passar uma cópia do disco pra eu ouvir”. Então recebi um CD-R com 12 canções fresquinhas e corri para casa como um ladrão de chocolate de supermercado.

Quando as músicas começaram a pular daquela playlist, tive certeza de que estava ouvindo o melhor álbum do Porcas Borboletas até hoje. Mais certeiros e espertos, mais maduros e fortes do que nunca, e com a personalidade de sempre.

“It’s only life but I like it”, poema de Paulo Leminiski musicado pela banda e gravado no álbum, é um trocadilho com Stones que me remete à Dylan quando em 65 disse: “It’s life and life only” (“Isso é a vida e só a vida”) – o que diz muito sobre o que esses caras vieram dizer, uma espécie de “a vida está diante de nós e vamos vivê-la”. Bowie, Titãs, Arrigo, citados oficialmente ou não, estão dançando em volta deles mas não no palco, algo que mostra como a banda consegue espelhar influências sem deixar de ter sua própria persona, louca e em metamorfose constante. 

Do soturno ao doce, percebo a banda flutuando cada vez mais entre o fantasioso mundo que habita com propriedade mas também vagando pelo caminho do homem comum, e essa equalização sempre foi uma tarefa difícil para qualquer artista. O mesmo personagem beatnik de “Go to Cuyaba” é o de “Tudo Que Tentei Falhou”, talvez tomado por mais consciência após sessões de tudo que a própria letra desta última sugere. A mente do nosso herói volta a nublar-se em “Aninha” – talvez seja Aninha ele mesmo? A impressão é que o personagem e o que ele vê são a mesma coisa, numa mistura de ego e distanciamento desse próprio ego.

A grande sacada que faz o Porcas tão ímpar é que quando o clima começa a pesar, musical ou poeticamente, eles vem com algo mais certeiro ainda. A última canção mostra exatamente isso: coloquial e brilhante, “Infelizmente”, assim como todo o álbum, traz uma eterna confusão de risadas e lágrimas, essa combinação que pode se dizer ser a melhor de toda a vida, essa poética que após esse álbum se torna praticamente um patrimônio dos Porcas Borboletas… riso e choro, sorriso em lágrima, ou em outras palavras, festa-terror.



Helio Flanders,
Fã confesso.

 

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– juka tavares –
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